A outorga do prêmio Personalidade Amazônica ao ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, dr. José Seixas Lourenço, longe de desmerecer os demais concorrentes, prestou-se a destacar o papel que a instituição tem desempenhado na região. Na verdade, o reconhecimento ao trabalho do agraciado se deu sobretudo em virtude da ousadia que marcou sua passagem pelo órgão. Até o momento em que o atual reitor da Universidade Federal do Oeste do Pará-UFOPA assumiu o INPA, o instituto aparentava um organismo enquistado em território manauense. Raras eram as oportunidades em que se sentia a integração com a sociedade local, raríssimas as vezes em que se percebia a interação entre os cientistas e os moradores da cidade.
Tão logo instalado na direção, Lourenço buscou contato com as lideranças e os meios de comunicação locais. Cedo se convenceu da viabilidade e das virtudes da proposta de grande número de cientistas do INPA, quanto à necessidade de abrir as portas da instituição à comunidade local, de que o Bosque da Ciência foi o instrumento mais representativo. Hoje, o Bosque é dos locais de visitação preferidos pelos habitantes de Manaus e pelos visitantes interessados em conhecer o resultado do labor dos pesquisadores do INPA. São palpáveis os benefícios colhidos, em todos os níveis de ensino e nas mais variadas áreas, seja da ciência, da cultura e da educação.

Também é ponto destacado da passagem de Seixas Lourenço pela direção do INPA a criação da originalmente Fundação Djalma Batista - FDB, hoje Fundação Amazônica de Defesa da Biosfera. Reivindicação de numeroso grupo de pesquisadores do INPA e da UFAM, a Fundação tem mantido parceria proveitosa para o conhecimento e para boa parte das atividades do Instituto. Sujeita a oscilações compreensíveis, a qualidade da parceria tem logrado, nos últimos anos, sempre maior envolvimento em projetos do maior interesse para a produção de conhecimento e ciência útil à compreensão dos mais diversos aspectos da realidade regional.

Ao manifestar a alegria pela escolha de um de seus fundadores como Personalidade Amazônica, desejo testemunhar o esforço e a solidariedade recebida da atual diretoria do INPA, que grangeia o respeito e a admiração de quantos se dedicam a tornar menos difícil a busca de conhecimentos científicos.